O que Obama trará
Trará exemplo. Não apenas pelo Democrata que irrompe uma barreira massiva de Republicanos e sua avassaladora superioridade, mas pelo choque de conceitos que estamos por ver. Um americano de cor chegando ao posto maior da maior democracia do mundo, é por si só uma revolução. Uma revolução não somente para os americanos. Uma demonstração de que pré-conceitos seculares e firmemente enraizados na cultura americana e de muitos outros países estão deixando de valer. A de que a unidade multicultural é um sonho distante, ou de que toda minoria é minoria e perturbadora da ordem, seja ela qual for. Uma afirmação nua e crua, que serve de exemplo para outras nações de que a América, ao contrário das crises e predições "do contra", ainda se reinventa e traz a tona todo o esplendor das democracias modernas: a mudança não vem mais pela confusão ideológica acerca de causas, por revoluções sangrentas, guerras étnicas ou violências de qualquer natureza. Ela vem do povo, que tem poder, clareza e liberdade para mudar quando é hora de mudar. Sua eleição revela o poder da pluriculturalidade americana e dá uma mostra do verdadeiro poder da América: o de se reinventar pra continuar a sobreviver, ao invés de se afundar em mazelas do passado.
