Sim, estamos melhorando
Há alguns dias atrás me questionei a respeito da atual situação política brasileira, e dos diversos “draw-backs” que sofremos, quando políticos corruptos protegidos dentro um sistema considerado "para todos", enfrentam sem medos a moral democrática. Considerei que, apesar de termos políticos que acreditam poder esfregar seus atos na cara dos cidadãos mais conscientes e informados, preocupados somente com o voto dos cidadãos ditos desinformados e vítimas de um sistema que se alimenta da ignorância, gerando um círculo vicioso que beneficia apenas alguns poucos em detrimento de muitos, posso dizer que acho, em uma visão macro, talvez um pouco otimista, que a situação está melhorando. A resposta dada por um conhecido em retorno a minha afirmação foi de espanto: fui aconselhado a ter fé e acreditar em Deus e no Senhor Jesus Cristo, pois neste mundo viemos para sofrer. Não existe salvação! Nada contra. Considero-me uma pessoa de fé, e apesar de não praticantá-la, tampouco fanatizá-la, respeito todas as religiões que pregam os preceitos básicos de tolerância e amor. Mas fiquei chocado ao ouvir que não melhoramos (Brasil) desde então como democracia e sociedade, e que seria ilusão acreditar que podemos melhorar alguma coisa. Digo que podemos, devemos e estamos sim, melhorando. Basta olhar ao nosso redor: coisas que antes seriam consideradas inacessíveis começam a se tornar tão triviais como uma escova de dentes. Ao discutir a respeito deste assunto no almoço, a minha irmã mais nova questionou tal minha afirmação ao dizer que outras coisas que eram inacessíveis também se tornaram triviais no passado, e não contribuíram em nada para a melhoria da qualidade de vida no passado. Brilhante. Mas ainda assim, afirmo que sim, a situação está melhorando. Observemos o aspecto macro da situação atual: Coisas básicas acomo a educação e a própria cesta básica, têm se tornado cada vez mais acessíveis. A informação em si, essencial para a vinculação das pessoas no contexto produtivo, seja nacional ou global, têm sido cada vez mais difundida, apesar de muitos questionarem a inclusão das grandes massas. O importante é destacar que a melhoria faz parte do processo inato do ser humano com acesso à informação. E o processo global está se intensificando. Sua força é incólume e sua velocidade lenta. Mas sua força é constante e incessante. Recentemente, em um ônibus vi uma menina, claramente de origem humilde, de aproximadamente 11 ou 12 anos, lendo uma revista para a sua irmã mais nova. Quase chorei. Vi ali um claro exemplo de que estamos melhorando como nação. Estamos dando oportunidades que, apesar de parecerem tão básicas para a maioria das pessoas de classe media, era, até pouco tempo atrás, exclusivo da elite: o direito da alfabetização e consequentemente o direito ao conhecimento! O que nossa sociedade precisa entender, tirando os desvios que devem ser banidos o mais rapidamente possível, é que a mudança - salvo em situações extremas como no caso de guerras e revoluções, que sempre vem para piorar o que já existia - leva tempo para acontecer, pois ao contrário do que se pensa, a mudança precisa sim acontecer dentro de cada um de nós. Somos responsáveis pelos políticos corruptos. Somos responsáveis pela sujeira nas ruas, somos responsáveis pela nossa boca suja, somos responsáveis pela falta de solidariedade com os mais vulneráveis à má administração pública. Ou seja, somos responsáveis pela mudança na nossa forma de entendimento da palavra comunidade.

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